Sucessão familiar mantém propriedade em movimento e aproxima gerações

  • 18/09/2026
(Foto: Reprodução)
Na propriedade da família Casagrande, em Barra do Tigre, interior de Concórdia (SC), o trabalho no campo faz parte da história de pelo menos três gerações. Sérgio Casagrande, 64 anos, nasceu na comunidade e começou a trabalhar com agricultura ainda na infância, acompanhando os pais e os dez irmãos. Hoje, ao lado da esposa, Rosa Maria, 55 anos, conduz uma propriedade que reúne produção de leite, grãos e avicultura. O próximo capítulo dessa história já está em andamento, com a participação do filho Mateus, de 28 anos. Associado à Cresol Desenvolvimento desde 28 de outubro de 2003, Sérgio acompanhou as mudanças da atividade rural e viu a propriedade se transformar ao longo dos anos. A produção, que antes era mais concentrada em grãos, hoje tem o leite como uma das principais atividades, com a maior parte dos grãos destinada à alimentação dos animais. A avicultura também integra a rotina da família, com lotes de aproximadamente 17 mil aves e uma média de seis lotes por ano, conforme os intervalos de produção. A modernização trouxe equipamentos, novas formas de manejo e mais produtividade. Também aumentou o volume de trabalho. Para Sérgio, o crescimento precisa caminhar junto com a capacidade da família de manter a rotina da propriedade. “A gente vê que a propriedade teria que crescer ainda, que teria algumas coisas para agregar. Só que a mão de obra hoje é o problema. Por enquanto, a gente vence, mas está no limite. Se crescer, vai ter que contratar”, explica. Uma escolha construída desde a infância Mateus cresceu acompanhando essa rotina. Desde pequeno, demonstrava interesse por máquinas, animais e lavoura. Sérgio lembra que, quando o filho ainda estava na escola, já preferia estar em casa, trabalhando com o trator. A vontade de permanecer no campo foi se formando antes mesmo de qualquer conversa mais estruturada sobre sucessão. “Eu sempre gostei de maquinário e de roça”, conta Mateus. A possibilidade de deixar a propriedade nunca esteve completamente fora de seus pensamentos, mas o vínculo com a atividade permaneceu. Hoje, ele participa das decisões e da execução dos trabalhos, dividindo responsabilidades com os pais e com a esposa, Tainá. A família tem três filhos, e Mateus é o sucessor que permanece na propriedade. A chegada de Yuri, filho do casal, há quatro meses, acrescentou uma nova geração à história. Para Sérgio, saber que o filho pretende continuar na atividade também influencia a forma como a família pensa os investimentos. “Ninguém é eterno. Eu sempre digo isso. Se não vai ter sucessão, tu acaba não investindo. Quando a gente pensa em fazer alguma coisa, conversa: vamos fazer ou não vamos? E, sabendo que ele vai continuar, a gente pensa que vale a pena investir, porque ele vai seguir. A gente quer que eles aproveitem o que foi construído e tenham uma vida melhor aqui dentro”, afirma. Crescer exige planejamento As decisões de investimento são tomadas em conjunto pela família, considerando as necessidades da propriedade e as possibilidades de cada momento. A participação de todos também faz parte da rotina: Sérgio e Rosa, Mateus e Tainá dividem responsabilidades e acompanham as atividades que mantêm a produção em funcionamento. Sérgio ainda enxerga espaço para ampliar a propriedade e agregar novas atividades. No entanto, a mão de obra é hoje uma das principais limitações. Parte dos serviços já é terceirizada, especialmente aqueles que exigem máquinas ou equipes específicas. Um novo crescimento, segundo ele, poderá exigir a contratação de profissionais de fora. A sucessão, na prática, não representa apenas a permanência de um filho na propriedade. Envolve dividir responsabilidades, avaliar investimentos e construir, aos poucos, uma forma de trabalhar que faça sentido para quem está hoje e para quem seguirá depois. Experiência que abre caminho para o futuro Ao olhar para a trajetória da família, Sérgio e Rosa destacam o quanto a atividade rural mudou. O trabalho que antes exigia esforço físico intenso e estruturas mais simples hoje conta com equipamentos, tecnologia e melhores condições de manejo. Para eles, parte do orgulho está justamente em ver os filhos trabalhando com mais comodidade do que a geração anterior teve. “Nós sempre falamos que não queremos que eles façam o que nós tivemos que fazer. Nós somos do tempo de tirar pedra da roça, trabalhar com boi, fazer tudo de um jeito bem mais difícil. Então, o nosso orgulho é ver que eles estão seguindo, que estão crescendo junto com a gente e que não precisam passar pelo mesmo trabalho que nós passamos lá atrás. A gente quer que eles valorizem o que foi feito para eles terem a comodidade que têm hoje”, relata Rosa. A parceria com a Cresol também integra essa trajetória. Sérgio conta que, nos últimos anos, passou a concentrar na cooperativa as operações de crédito da propriedade. Para ele, a relação é marcada pela proximidade, pelo atendimento e pela possibilidade de conversar sobre os investimentos antes de tomar decisões. “É um jeito diferente de trabalhar. Tem mais abertura, mais proximidade, as pessoas conhecem a gente. Trouxe agilidade, trouxe crédito, trouxe bom atendimento. E, de certa maneira, também tem uma assistência para ajudar a pensar de que maneira é melhor fazer as coisas, porque não adianta liberar crédito se a pessoa não souber usar”, afirma. A renovação que mantém o campo em movimento A história da família Casagrande acompanha uma questão que está presente em muitas propriedades rurais brasileiras: como garantir a continuidade do trabalho entre gerações. Segundo o Anuário Estatístico da Agricultura Familiar 2024, o Brasil possui aproximadamente 3,9 milhões de estabelecimentos da agricultura familiar, que respondem por 10,1 milhões de ocupações no campo. Na prática, o número representa as pessoas que trabalham nessas propriedades, o equivalente a 67% das ocupações rurais. Ao mesmo tempo, o envelhecimento da população rural reforça a importância de preparar os próximos responsáveis pela atividade. Entre 2012 e 2023, o número de pessoas com 60 anos ou mais vivendo no campo passou de 3,42 milhões para 4,33 milhões, enquanto a população rural de 14 a 17 anos diminuiu 31%. Nesse cenário, a sucessão familiar envolve decisões sobre trabalho, investimentos, renda e qualidade de vida. Anuário Estatístico da Agricultura Familiar 2024, publicada em 2025, identificou que 99% dos jovens participantes consideram a família e suas relações fundamentais para a decisão de permanecer ou não na propriedade ou na atividade rural. O estudo também aponta que o desejo de ser sucessor ou gestor da propriedade e a possibilidade de ter emprego e renda no meio rural estão entre os principais fatores de permanência. Uma história que continua Mateus ainda não sabe exatamente como estará a propriedade daqui a dez anos. O que sabe é que pretende continuar no campo. A sucessão, para ele, é um processo que se constrói no dia a dia, com a experiência dos pais, a participação da família e as escolhas feitas para manter a atividade viável. “Eu vejo a sucessão como meu pai me via, no caso, para seguir a propriedade. É difícil falar como vou viver daqui a dez anos, mas sempre me vejo aqui. A gente vai seguindo, melhorando e fazendo o que precisa ser feito”, diz Mateus. Agora, com Yuri ainda bebê, a família começa a olhar para uma nova geração. Mateus espera que o filho também desenvolva o mesmo gosto pela vida rural. Não como uma obrigação, mas como uma possibilidade que nasce do contato com a terra, os animais e a rotina da propriedade. Na família Casagrande, a sucessão não tem uma data marcada. Ela acontece enquanto a produção segue, os investimentos são discutidos e as gerações aprendem umas com as outras. É assim que a história continua sendo escrita, entre o trabalho de hoje e os planos para o futuro. Sobre a Cresol Com 31 anos de história, mais de 1,2 milhão de cooperados e 1.060 agências de relacionamento, a Cresol é uma das principais instituições financeiras cooperativas do Brasil. Com foco no atendimento personalizado, fornece soluções financeiras para pessoas físicas, empresas e empreendimentos rurais.

FONTE: https://g1.globo.com/pr/parana/especial-publicitario/cresol/guia-de-solucoes-financeiras/noticia/2026/09/18/sucessao-familiar-mantem-propriedade-em-movimento-e-aproxima-geracoes.ghtml


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